Oralidade:
sob uma perspectiva docente no Ensino Médio
Por Deise G. Hickmann
Durante
muito tempo se priorizou nas escolas o desenvolvimento de habilidades como
Leitura e Escrita em relação à Língua Portuguesa. Tal hábito fez com que o
estímulo à oralidade fosse ficando de lado. Um dos possíveis motivos é a
preocupação com as provas externas que, obviamente não avaliam a capacidade de
expor o conhecimento através da oralidade.
A
escola não é a única culpada nesse aspecto, os jovens têm tido cada vez menos
chances de diálogo com os pais, tem ficado mais reclusos em seus quartos, com seus
videogames e computadores.
A
fala, que foi desenvolvida muito antes da escrita e da leitura, é hoje cada vez
menos elaborada, menos planejada e menos valorizada como instrumento de
aprendizagem.
Hoje
se fala muito em valorizar o conhecimento do aluno, o que ele traz de suas
vivências, mas se percebe cada vez mais as dificuldades de se expressar e de
converter o que pensa e o que sabe em fala e argumentação.
Peças
teatrais, apresentação de slides e explicação de maquetes e cartazes são
exemplos de atividades que costumam ser usadas em sala de aula como estratégias
para desenvolver a oralidade, no entanto trata-se muitas vezes apenas de
cobrança como forma de avaliação, não há uma preparação, um treinamento para o
ato que parta do professor.
Com
a implantação do Seminário Integrado no Ensino Médio Politécnico e a
necessidade de elaborar e apresentar os Projetos, foi preciso preparar os
alunos para o trabalho, ensinando questões como: postura, entonação,
gesticulação, tom de voz, pausas e ordem frasal.
Nos
segundos anos, trabalham-se os textos jornalísticos. No presente ano surgiu um
projeto para rádio-escola, diante disso os alunos foram motivados a oralizar os
textos, gravando-os e editando-os para serem compartilhados na rádio e,
espera-se que mais tarde os alunos devam estar aptos para locutar a rádio em
tempo real.
No
Ensino Fundamental que tem carga horária de 5 horas/aula de Língua Portuguesa,
é possível fazer hora de leitura e num dado momento compartilhar oralmente essa
leitura, provocando os alunos a opinarem e defenderem seu ponto de vista e não
apenas resumirem o que entenderam.
Nos
terceiros anos são trabalhadas algumas estratégias orais em função de
entrevistas de emprego, por exemplo. Analisamos a forma de se portar, se vestir
e de falar, a variação ideal da linguagem de acordo com a situação, etc.
Alguns
aspectos que dificultam a oralidade: falta de segurança, falta de domínio da
norma culta, falta de domínio e preparo sobre o assunto, dificuldades de
contextualizar e relacionar o tema com a prática/situação e de transformar
texto em fala, inabilidade para atrair a atenção através da entonação de voz,
desconhecimento de estratégias argumentativas.
A
oralidade, sem dúvida, abre mais portas no mercado de trabalho do que a
escrita, mas é preciso trabalhar isso, dando a devida importância diante das
circunstâncias.
Concordo plenamente com você Deise, a Escola deveria oferecer oficinas e/ou espaços para os alunos trabalharem estas questões.Não podemos esquecer que são jovens e ainda não possuem a experiencia de vida e a Escola pode ser este laboratório.
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ResponderExcluirConcordo com os colegas. A escola é um espaço de construção tanto do conhecimento, quanto de posturas e atitudes em relação à apresentação de ideias, trabalhos e projetos. Todos nós temos um medo muito grande de expressar nossas produções e sermos criticados. O desenvolvimento da oralidade é extremamente importante e a segurança e o domínio de estratégias acontecerão aos poucos.
ResponderExcluirProfessora Deise, somos da mesma área – Letras. E meu pensamento converge com o seu. A oralidade ficou de lado nas aulas escolares em função das exigências em concursos, vestibulares, Enem... porém, para o mercado de trabalho, é fundamental a fala, a comunicação oral. O domínio da língua padrão e o conhecimento (que dá segurança para falar sobre) são imprescindíveis na oralidade.
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